Investir em cores neutras é o caminho para decorar sem cometer erros

Especialistas ensinam como ter equilíbrio sem monotonia na criação dos ambientes.

 

Quer fazer com que a decoração de sua casa nunca saia de moda? Invista em cores neutras. O segredo é apostar em tonalidades que não são contrastantes e para isso há uma longa lista de opções. Branco, preto, creme, bege, cinzento e suas nuances são algumas delas. O legal desse estilo é a versatilidade, ou seja, combina com tudo. A decoradora Nara Cunha diz que as cores neutras são atemporais, versáteis e conferem aos ambientes uma sensação de tranquilidade. “Essas são algumas das razões pelas quais escolhemos os tons neutros, que variam do branco, preto, beges aos acinzentados. E, por isso, podem ser utilizados em todos os ambientes da casa. Não tem como dar errado”, comenta.

Para escolher as cores neutras, o arquiteto Hugo Sasdelli conta que o primeiro critério é definir a cartela de cores a ser utilizada. “Tendo feito isso, a ‘brincadeira’ pode começar. As cores neutras ficam nas cartelas dos tons marrons, beges, cinza, preto e branco; temos uma gama enorme. Mas ser neutro não significa não ser ousado. Podemos elaborar ambientes fantásticos utilizando apenas cores neutras”, revela.

Há várias maneiras de utilizar as cores neutras, conforme a decoradora Beth Márquez. Na composição, pode-se partir de uma cor base e suas várias gamas ou combiná-las com outros tons neutros. “Como cinza com verde acinzentado, cinza com marrom ou cinza com azul acinzentado. Nos tons de bege podemos variar na mesma gama, mas com texturas diferentes também acrescentar algum outro tom neutro, como marrom ou cinza. Nessas combinações podemos introduzir preto ou branco, mesmo em ambientes predominantemente brancos ou com muito preto.”

As cores neutras podem ser utilizadas em quase todos os ambientes, dependendo do desejo dos moradores, de acordo com Beth. “Construtoras em geral baseiam seu detalhamento de banheiros, cozinha e pisos de salas em tons claros e neutros por serem mais fáceis de agradar, sendo mais impessoais e podendo receber qualquer projeto de decoração.”

O começo

Muitas são as cores neutras e todas são imprescindíveis para um projeto de decoração, como avalia o arquiteto e designer de interiores Luís Fábio Rezende de Araújo. “Costumo sempre dizer que os tons neutros são a base de todo o projeto, para, sobre ela, você pontuar ou abusar das cores de destaque. Usar uma cor neutra não tem erro, mas utilizar somente elas pode deixar o ambiente comum e nada atrativo”, adverte.

Para Luís, é necessário associar as cores destinadas a uma determinada decoração. “Entre todas as cores neutras podemos destacar os tons de bege, cinza, branco e off-white. No entanto, neutro não necessariamente significada claro. Há tons com mais personalidade e mais intensos, como o castor, caramelo, marrom, preto e chumbo. São cores imponentes, mas que harmonizam com qualquer outra cor predominante ou decoração.” O arquiteto admite sua preferência pelos tons mais secos, mais acinzentados. “Eles deixam a tonalidade mais chique. Há alguns tons que acabam puxando para o amarelo (no caso do bege) ou azul (no caso do cinza). Com esses não gosto de trabalhar”, admite Luís Araújo.

Equilíbrio acima de tudo
Projetar o uso de vários tons de cores neutras é fundamental para garantir ambientes bonitos em casa. Investir em iluminação é outra dica útil para criar espaços mais atraentes

A harmonia na escolha das cores é o grande segredo para quem quer acertar na composição dos ambientes utilizando cores neutras. De acordo com o arquiteto e designer de interiores Luís Araújo, os tons devem conversar entre si e dividir o mesmo patamar de atenção. “O contraste forte é prejudicial na decoração”, afirma. O profissional diz que o contraste deve ocorrer, sim, mas de forma muito suave. “Para que nenhuma peça sobressaia em relação à outra apenas por ter uma cor mais vibrante e chamativa. Ambientes que em sua maioria são decorados com tons claros podem receber pequenas peças de decoração coloridas ou mesmo seguindo a linha dos neutros de cor”.

A partir daí pode-se perceber que, mesmo optando por uma decoração neutra, isso não quer dizer que tudo é permitido, como diz o arquiteto Hugo Sasdelli. “Pode-se pensar que, neste caso, não há risco de errar. Mas isso é um engano, pois o ambiente não pode se tornar um festival dessas cores, que têm muitos tons”, comenta.

Assim, o ideal é eleger, no máximo, três tons a serem utilizados e compor com madeiras diferentes, que são naturalmente neutras. “Isso para não ficar tão ‘conjuntinho’ e, ao mesmo tempo, não perder a harmonia e o aconchego”, explica Hugo. O arquiteto também desaconselha o uso de apenas um tom na decoração. “Isso poderia resultar, às vezes, em um ambiente sem personalidade”, justifica.

Para quem adora o branco, no entanto tem receio de que a casa fique com cara de hospital, Hugo Sasdelli recomenda a inserção de cores em alguns objetos de composição, como almofadas, quadros e vasos, que podem ter plantas e flores. “Um ambiente neutro permite uma escolha variada de adornos, objetos de arte e tapetes. Mas tem de se saber sempre onde se destaca.”
A decoradora Beth Marquez também recomenda o emprego de cores em detalhes, no caso de quem quer investir no branco na decoração. “Para não cairmos no uso excessivo de cores neutras, podemos contrabalançar com a utilização de muita madeira em painéis, cadeiras, mesas e nos detalhes, como tapetes e obras de arte”, indica.
Escolhê-los é uma tarefa mais fácil quando comparado a outros tipos de decoração, como diz Beth. “Algumas combinações neutras deixam o ambiente harmônico, como branco, bege e preto; branco e bege com várias texturas, principalmente nos tecidos de sofá; cinza, preto e branco; tons pastéis claros; cinza com tons marrons acinzentados e cinza e seus tons degrades”, sugere.

Para Hugo Sasdelli, a harmonia na escolha do mobiliário não significa, necessariamente, a escolha de todos eles de um material apenas. “Acho, inclusive, que não se deve fazer isso. É preciso mesclar coisas que combinem e colocar alguns pontos que quebrem, ou seja, causem um impacto.”

No padrão

Já na escolha dos eletrodomésticos, o arquiteto tem opinião diferente. Neste caso, Hugo prefere quando eles seguem uma mesma linha. “Ou seja, se vamos usar o inox, que é o mais usado atualmente, seguiremos então toda a linha, e assim por diante. Fica salvo disso elementos que serão introduzidos para realmente se diferenciarem do restante, como as geladeiras vintage revisitadas. Dependendo do ambiente, a intenção será realmente destacar o objeto em questão do restante.”

A harmonia quando se trata dessas escolhas não significa que todos os ambientes devem ter os mesmos materiais, como diz Luís Araújo. “Mas quando você for escolher os acabamentos, é muito interessante que um cômodo converse com o outro. Seja na escolha da mesma madeira, por exemplo. Assim, se algo escolhido tem muita textura, o ideal é que o próximo material seja mais liso. Se um for brilhante, o outro pode entrar fosco, e assim por diante.”

 Como escolher as cores neutras a serem usadas nos ambientes?
Temos que pensar a partir das peças maiores. Se for uma sala, devemos começar pelo sofá. Se ela for pequena, ele não pode ser em tom escuro, pois isso dará a sensação de que ele ocupa todo o espaço. Se escolher trabalhar a sala em tons de bege, a sugestão é ter um sofá na cor fendi, muito em alta no momento. Aí você pode colocar mesas de complemento em madeira marrom, almofadas em bege, marrom e camurça e um tapete em um dos tons das almofadas. Nesse caso, pode-se trabalhar também acessórios em tons claros de verde.

Quais são as dicas para tornar o ambiente aconchegante, prático, funcional e, ao mesmo tempo, barato?

Um ambiente para ser aconchegante precisa de cortinas, tapetes e quadros e, com certeza, ter o perfil do morador. É importante destacar que as cortinas devem ser nas cores das paredes ou, no máximo, na cor do tom mais claro usado no ambiente. Os tapetes de material sintético são mais práticos pela facilidade de limpeza e mais acessíveis. Os quadros vão muito da personalidade do morador, mas não devem ser de muito destaque, senão podem roubar a cena.

O que dá certo na elaboração de um projeto como esse?

A escolha de um mobiliário clássico em consonância com a tonalidade neutra das paredes e revestimentos e o casamento com algumas peças de decoração em cores mais vivas é sempre uma grande aposta. Dessa forma, você terá sempre uma decoração que não sai de moda e pode trocar uma peça de destaque eventualmente, mas a base será sempre atemporal e elegante.

Design cheio de potencial

Para destacar e valorizar os elementos de uma decoração neutra, é essencial investir, ainda, em um projeto de iluminação, explica o arquiteto e designer de interiores Luís Araújo. “Essa é uma das partes mais importantes em um projeto de decoração ou mesmo de arquitetura”, ressalta. Segundo ele, um bom projeto de iluminação pode melhorar uma concepção mediana de decoração e um fraco estudo luminotécnico pode prejudicar o resultado de um excelente projeto. Para que seja escolhido o recurso mais adequado ao espaço, o estudo deve ser feito sobre o leiaute finalizado. “E, se possível, já com a definição dos tons a serem usados no espaço”, acrescenta Luís Araújo.

Para Nara Cunha, independentemente das cores utilizadas no projeto, a iluminação é um item muito importante em qualquer decoração. “A possibilidade de usar várias intensidades de luz e efeitos é sempre muito bom. Mas a iluminação no ambiente neutro não tem a necessidade de ser muito intensa, já que o branco (ou tons claros) refletem muito bem a luz.”

Conforme Hugo Sasdelli, é preciso que a iluminação seja pensada junto com o uso proposto. “Se é um ambiente de dupla função, como relaxar e estudar, temos de pensar em um jogo de iluminação independente, que permita a realização com conforto para as duas atividades. O ideal para o ambiente de estudo, trabalho etc é uma iluminação mais difusa, mais clara”, indica. Para receber e relaxar, Hugo sugere uma mais focada, pontuada onde se quer os destaques do ambiente.

Tendência
A decoradora Beth Marquez aponta o uso de arandelas, de vários tipos e tamanhos, como uma marca desse do uso do recurso na decoração neutra. “Além disso, a quantidade de peças de iluminação embutidas foram reduzidas. Algumas decorações quase aboliram o forro de gesso, usando peças marcantes de designer, tornando a iluminação mais limpa. O uso de LED também vem aparecendo com frequência, e a luz fria, mais econômica, vem sendo muito usada nos ambientes frios, como cozinha, banhos, lavanderias.”

Para fazer um projeto que obtenha melhores resultados, o mais indicado é que se recorra à ajuda de um profissional, que cobrará pelo serviço segundo a forma de contratação. “Há inúmeras possibilidades de orçamento para um mesmo projeto. O custo vai variar entre as dimensões do espaço, quantos ambientes serão contemplados no projeto, se haverá grandes projetos de detalhamento ou se será necessário apenas decorar um espaço já concretizado”, explica Luís Araújo.

Fonte: Correio Braziliense
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