Drywall conquista espaço dentro de casa

Sistema de construção a seco ganha corpo em projetos residenciais, com inúmeras opções estéticas para renovar o imóvel.

 (Eduardo Almeida/RA Studio)

Renovar a casa é sempre bom, ainda mais quando se pode usar um recurso que é prático e garante beleza aos ambientes. Para isso, o drywall é uma ótima opção. Além de econômico, o sistema de construção a seco tem entre suas vantagens a versatilidade na manutenção, na mudança de leiaute e na estética, como apontam profissionais da arquitetura e do design de interiores.

A arquiteta Adriana Morávia explica que drywall é uma palavra em inglês, que tem como tradução parede seca. Isso significa que não existe necessidade do uso de argamassa para a sua construção, como na alvenaria. “É uma tecnologia que substitui as vedações internas convencionais (paredes, tetos e revestimentos) de edifícios de qualquer tipo, consistindo de chapas de gesso acartonado de alta resistência mecânica e acústica, aparafusadas em estruturas de perfis de aço galvanizado. São mais leves e com espessuras menores que as das paredes de alvenaria.”

Muito utilizado na Europa e nos Estados Unidos, segundo afirma a arquiteta da Knauf do Brasil, Fabíola Souza, o drywall é um sistema para construção de paredes, tetos e forros. “Por fora, parece uma parede de alvenaria. Por dentro, tem alta tecnologia: combina estruturas de aço galvanizado com chapas de gesso de alta resistência mecânica e acústica, produzidas com rigoroso padrão de qualidade.”

A arquiteta Adriana Morávia diz que o sistema pode ser empregado desde em forros (foto do alto) e paredes até em mobiliários (Eduardo Almeida/RA Studio)
A arquiteta Adriana Morávia diz que o sistema pode ser empregado desde em forros (foto do alto) e paredes até em mobiliários
O resultado dessa receita de construção, que vem atraindo cada vez mais o interesse de quem quer conjugar praticidade e beleza, pode ser visto nos mais diversos locais de um imóvel. “O drywall pode estar onde a criatividade do arquiteto e designer estiver, ou seja, no teto, na parede, no revestimento, fazendo volumes, vazios, curvas e muito mais”, afirma Fabíola.

Para escolher como ele será utilizado em cada ambiente, é preciso ficar atento aos tipos de chapas disponíveis no mercado. “Existem três chapas principais do sistema: Chapa RU (resistência à umidade) para áreas molhadas, ST (standard) para áreas secas e teto e RF (resistência ao fogo) para áreas que necessitam de proteção passiva contra o fogo. Com as três chapas, atendemos todos os ambientes internos da residência”, informa Fabíola.

PLANEJAR 

Para se ter uma ideia da versatilidade do sistema, ele pode ser empregado desde em forros e paredes até em mobiliários. Para escolher como será seu uso, a arquiteta Adriana Morávia conta que, como em qualquer obra, planejamento é a palavra-chave. “Ele aceita diversas configurações, como o emprego de placas simples ou duplas, diferentes espessuras, enchimentos que proporcionam maior conforto térmico e acústico e, ainda, opções para áreas úmidas. Portanto, é preciso que haja especificações do profissional (arquiteto, engenheiro ou designer de interiores), levando em conta os usos dos ambientes.”

Obras ficam mais organizadas e limpas, sem os entulhos dos métodos construtivos convencionais (Eduardo Almeida/RA Studio)
Obras ficam mais organizadas e limpas, sem os entulhos dos métodos construtivos convencionais
O projeto também é essencial para seguir critérios técnicos que garantam não só a beleza, mas também a funcionalidade no uso do drywall. “Nele, definem-se os pontos de paredes e forros que merecem reforço – a fim de aguentar o peso de lustres, pias e móveis – e determina-se a colocação de lã mineral no interior do sistema para incrementar o isolamento acústico”, diz Adriana.

A arquiteta Estela Netto confirma que o drywall tem inúmeras possibilidades de emprego. “É uma ferramenta versátil, de rápida execução, com pouca produção de lixo. Enfim, um material que pode desde rebaixar tetos até construir paredes de vedação de um edifício inteiro.”

Paredes divisórias em linhas curvas, colunas, nichos e mobiliário fixos, como estantes, são outras possibilidades apontadas pela designer de interiores Iara Santos para a utilização do sistema. “Seu uso vai depender também da necessidade de isolamento acústico e térmico. De qualquer forma, devido à sua praticidade na construção, permite uma obra mais rápida e seca e com custo mais baixo do que a de um sistema comum”, destaca.

Várias possibilidades 


Flexibilidade de utilização faz com que o drywall ganhe cada vez mais adeptos. O sistema permite a composição com outros materiais, garantido sofisticação aos projetos

Sistema pode ser usado em paredes divisórias em linha curvas, colunas e nichos, como aponta designer de interiores Iara Santos (Eduardo Almeida/RA Studio)
Sistema pode ser usado em paredes divisórias em linha curvas, colunas e nichos, como aponta designer de interiores Iara Santos
A maior liberdade para criação tem feito com que o drywall seja um sistema muito bem-vindo pelos arquitetos, que podem abusar da sua imaginação. “É um material flexível, que permite a obtenção de formas curvas e diferenciadas com a mesma facilidade com que são montadas estruturas retilíneas. Além disso, podem ser utilizados não somente como divisórias, mas também na criação de mobiliários e elementos decorativos, tornando o projeto personalizado”, conta a arquiteta Adriana Morávia.

Todas essas possibilidades são potencializadas com o uso da iluminação. “O forro feito de gesso permite uma distribuição da iluminação no ambiente e a instalação de luminárias embutidas, dando mais leveza a ele. Mas é preciso levar em conta o espaço entre o forro e a laje, que pode ficar pequeno para embutir certos tipos de luminária. Geralmente, a medida utilizada é de 15 centímetros de vão”, explica Adriana.

De acordo com a arquiteta da Knauf, Fabíola Souza, o projeto luminotécnico voltado para o drywall não difere do que é realizado para a alvenaria ou teto convencional. “Mas gosto das iluminações de LED, que proporcionam luz fria e quente, têm longa duração e geram menor gasto de energia”, defende.

Assim como há uma variedade de usos para o sistema, que há muitas possibilidades para o uso da iluminação, segundo a arquiteta Estela Netto. “Podemos utilizar todos os tipos de lâmpada, luminárias, até mesmo as pesadas, desde que se crie um reforço para tal. Utilizamos as luminárias embutidas ou mesmo as de sobrepor ou pendentes.”

E o sistema não permite apenas a instalação de fiação elétrica e cabeamento de computadores. Também é possível passar por ele tubulações hidráulicas, como aponta Adriana. “Assim, o drywall pode ser usado em áreas molhadas, como banheiros e cozinhas, por exemplo. Nesse caso, deve-se fazer a instalação hidráulica primeiro e depois o fechamento com as placas de gesso.”

RESISTÊNCIA 

Para a montagem de paredes drywall nesses ambientes, recomenda-se o uso de chapas resistentes à umidade, também conhecidas como chapas RU, como alerta Adriana. “Nessas chapas, a massa de gesso contém um aditivo, denominado hidrofugante, que aumenta sua resistência ao contato com a água. Essas paredes, antes de receberem acabamento (que pode ser pintura ou revestimento com azulejos, mármore ou granito, entre outros), devem ser impermeabilizadas em sua base até a altura de 20 centímetros, no mínimo.”

A designer de interiores Iara Santos confirma que o drywall permite a instalação de sistemas hidráulicos e elétricos. “Eles podem passar por dentro das placas entre os perfis, pois são perfurados para tal. Tudo vai depender das espessuras dos perfis”, conta. O mesmo é válido com relação à viabilidade de emprego de acabamentos em cerâmica, pastilhas e mármore, por exemplo. “O assentamento é feito com a argamassa colante ou parafusado. Mas antes é necessário verificar o peso dos materiais de acordo com especificações técnicas do fabricante.”

Segundo Adriana Moravia, o sistema aceita qualquer tipo de acabamento: pintura, textura, azulejos, pastilhas, mármore, granito, papel de parede, lambris de madeira etc. Além disso, recebe bem objetos decorativos, desde que respeitado o limite da carga suportada. “A fixação de objetos em paredes drywall é simples. Devem-se usar buchas e parafusos específicos para esse sistema.”

Com buchas específicas, podem-se fixar objetos de até três quilos diretamente na placa de gesso instalada no forro, como informa Adriana. “Se tiverem de três a dez quilos, as cargas devem ser fixadas nos perfis da estrutura do forro. Acima desse peso, as peças devem ser presas à laje ou à estrutura do telhado, pois é nela que deve incidir o peso.”

Além de econômico e estético, drywall é altamente resistente para a construção de paredes, permitindo instalação de fiação elétrica sem problemas (Eduardo Almeida/RA Studio)
Além de econômico e estético, drywall é altamente resistente para a construção de paredes, permitindo instalação de fiação elétrica sem problemas

 

Destaque nos últimos anos

Na Europa e nos Estados Unidos, o drywall (ou gesso acartonado) é um material utilizado na construção civil há quase um século. No Brasil, porém, ele só ganhou certo destaque nas últimas duas décadas. O que ajudou a popularizar o sistema por aqui foi a instalação de grandes fabricantes multinacionais no país.

» Como utilizar: o drywall pode ser utilizado na construção de paredes, forros, revestimentos e mobiliários integrados. Ou seja: para quase tudo. Para áreas externas, a sugestão é usar placas cimentícias de alta resistência.

» Onde utilizar: em áreas secas ou úmidas. Recomenda-se o uso de chapas verdes (RU: resistentes à umidade) em áreas úmidas. Nas áreas secas são especificadas chapas cinzas (ST: standard). Existem também as chapas rosas (RF: resistentes ao fogo), que são recomendadas para áreas que exijam alta resistência ao fogo.

» Revestimentos adequados: podem receber acabamentos em cerâmica, pastilhas, mármore, granito, pintura à base de resina epóxi e madeira, entre outros. Recomenda-se a utilização de argamassa colante flexível apropriada ao tamanho das peças selecionadas.

» Fixação de carga: para furar a parede, indica-se a utilização de brocas específicas e de buchas para ocos. Nos locais em que serão fixados objetos pesados (como armários de cozinha e TVs) é providencial criar um reforço com barrotes de madeira ou chapas metálicas internas. As placas entre dois montantes de 60 centímetros aguentam tranquilamente até 18 quilos.

» Manutenção e limpeza: o drywall é altamente durável, mas o proprietário precisa seguir algumas regras de manutenção. O ideal é realizar limpeza anual, com água, detergente líquido neutro e esponja macia. Produtos abrasivos não são recomendados.

Fonte: Associação Brasileira dos Fabricantes de Chapas em Drywall

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